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sexta-feira, 1 de julho de 2011

Allez, allez!

O espaço apruma-se de esperança, as portas entreabrem-se de ansiedade, o ar enche-se de expetativa e até o coração já fez as malas. É a hora da mudança a aproximar-se, momento charneira para perceber quanto do lastro do nosso percurso, quantificado em tralha, pode ser dispensado para começar uma vida nova.

domingo, 29 de maio de 2011

Há exatamente um ano atrás...

... era este o panorama no interior da casa. É bom regressar aos arquivos para perceber o que já foi feito e que a memória quotidiana vai 'obliterando' de forma seletiva. É que o presente parece andar sempre muito mais devagar se apenas olharmos para o futuro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Corto Maltese visita uma casa na baixa...

... com ar manifesto de aprovação.

segunda-feira, 11 de abril de 2011

O antigo pós-moderno

Há quem ache discutível esta vontade de recuperar o antigo, alegando que os tempos mudam e que de qualquer das formas é impossível reproduzir o que já não existe. É uma verdade, mas parcial. Outra verdade é que este desejo de acarinhar o antigo é uma coisa recente, pós-moderna mais do que moderna (se na modernidade o que se quis foi construir contra o passado, em grande escala, como se o planeta inteiro se pudesse transformar numa enorme indústria, organizada segundo as regras da economia e da matemática). Felizmente existe já uma massa crítica que não se coloca à margem da discussão mas que coloca a tónica na necessidade de regressar a uma vivência à escala humana. Nesse novo mundo (que é admirável sem ser monocromático), elementos da pré-modernidade, da modernidade e da pós-modernidade coabitam numa harmonia que não é uma ideia universal, antes a vontade de se identificar com um espaço, feito à medida dos seus habitantes.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

A propósito de portas e fechaduras

I.
Eu nunca gostei de portas, sempre as vi como
um grosseiro despotismo. Não percebia por
que razão davam passagem a uns e outros não.
Rebelei-me contra elas, tornei-me arrombador.
Decidido a contestar os seus desígnios, passei
os melhores anos da minha juventude a estudar
o idioma das fechaduras. Aos poucos, alcancei
uma secreta mestria: nenhuma resistia à sedução
dos meus arames. As portas franqueadas, e não
o que atrás delas se defende, procurava. Poucas
vezes roubei. Esta alegria me bastava - introduzir
desordem na composta segurança duma casa.
Agora que penso nisso, acho que havia algo
de bárbaro nessa minha obsessão por destruir
a ilusória placidez das fortalezas, os escudos
da propriedade, da suficiência. Porta atrás
de porta, a minha vida passou. Até chegar aqui,
a este lugar indistinto. Também nele há uma porta.
Não me seria difícil arrombá-la. Não fosse dar-se
o caso (e esse é o castigo da minha soberba)
de não saber se estou no céu ou no inferno.


in
"Erros Individuais", de José Miguel Silva

domingo, 9 de janeiro de 2011

Atelier

O que distingue um operário de um artesão e de um artista? A olho nú, nada.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

domingo, 28 de novembro de 2010

L'avenir

Portas e janelas protegidas por plásticos, para evitar a chuva, emprestam à casa um ar de algo que aguarda, pacientemente, a sua vez para se revelar à cidade (que espreita já, de forma turva, por esses enquadramentos). Dentro, a reprimir mal a ansiedade, sentimo-nos já parte desse projecto.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

É entrar, senhorias

Vídeo-porteiro? Intercomunicador? Temos um, topo de gama. Basta premir o dispositivo metálico durante um breve instante. A pressão infligida pelo contacto digital despoleta um complexo dispositivo sonoro ligado directamente, por via aérea (uma novidade extra, mais ecológica), a todas as divisões da casa, sem necessidade de instalar outros equipamentos. A comunicação interior-exterior estabelece-se por duas vias: por vocalização humana (uma tecnologia ancestral) ou por uma dinâmica visual, após a abertura de vários portais estrategicamente localizados na fachada frontal.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Visita guiada

domingo, 10 de outubro de 2010

Alvura

A impressão geral, nas visitas recentes, é a de que a casa se transforma paulatinamente num grande habitat branco e acolhedor, com ângulos elegantes e onde apetece, cada vez mais, ficar.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Substância dos sonhos

Desde que as obras iniciaram, o nosso subconsciente já sugeriu, em forma de sonhos, projecções criativas sobre a conclusão da empreitada. Num deles, a casa aparecia miraculosamente concluída, com uma equipa totalmente diferente e liderada pela socialite Fátima Lopes (diz que é estilista...). Estava tudo aterradoramente e irreversivelmente fashion, trendy e cheio de concept. Noutro sonho, descobria-se, qual cenário perfeito de filme de terror americano, que a casa estava assente sobre uma espécie de cemitério ancestral, que uma inundação revelava numa imagem dantesca. Dizem que os sonhos são uma espécie de preparação da nossa mente para possibilidades de futuro. Pois depois destas, creio que estamos literalmente prontos para tudo!

sábado, 11 de setembro de 2010

sábado, 7 de agosto de 2010

sábado, 24 de julho de 2010

quarta-feira, 7 de julho de 2010

The thin red line

De regresso após um interregno no sul da península itálica, onde se pôde apreciar o património arquitectónico e urbanístico de Nápoles (a cidade onde o passado mais convive com o presente, em sucessivas camadas verticais de História), a vontade de espreitar as novidades na casa era grande. Uma delas foi esta linha vermelha, desenhada aparentemente com exactidão em todas as divisões à mesma distância do chão e cujo significado ainda está sob escrutínio. Na linguagem bélica, a 'thin red line' representa a capacidade de uma força militar exígua resistir ao ataque de forças desmesuradamente maiores.

PS: entretanto o arquitecto confirma que a função da linha é a de nivelar em cada piso todas as intervenções abaixo, até ao soalho, e acima, até ao tecto, corrigindo ou prevenindo eventuais desnivelamentos.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

Interregno

Segue-se um intervalo para umas merecidas férias. As obras, contudo, prosseguem, pelo que contamos ter novidades para registar no regresso. Até lá, bom São João!

sexta-feira, 28 de maio de 2010

sábado, 22 de maio de 2010

O primeiro residente oficial...


... ocupa a casa com devida autorização, mas mais cedo ou mais tarde vai ter que ser realojado.